Ciência · Astronomia

Por que o rastro do cometa Halley ilumina o céu em 2026?

O Halley só deve voltar a ser visto nas proximidades do Sol em 2061. Mesmo assim, fragmentos que ele deixou em viagens anteriores cruzam o caminho da Terra e produzem a chuva de meteoros Oriônidas.

Composição fotográfica de meteoros Oriônidas registrados entre 2015 e 2022 sobre a Eslováquia.
Composição de registros das Oriônidas de 2015 a 2022, não da chuva de 2026. Foto: Petr Horálek / Institute of Physics in Opava. Reprodução: Česká televize. Fonte.

O cometa Halley está longe da Terra e só deverá retornar à região interna do Sistema Solar em 2061. Mesmo assim, nas noites de outubro, pontos luminosos cruzam nosso céu graças a pequenos fragmentos deixados pelo cometa há muito tempo. A explicação está na chuva de meteoros Oriônidas, cujo pico em 2026 ocorre na noite de 21 para 22 de outubro.

Se o Halley está distante, por que vemos seu rastro?

Cometas são corpos de gelo, poeira e rocha que orbitam o Sol. Quando se aproximam dele, liberam partículas, espalhando material ao longo de suas trajetórias. Esse material não permanece reunido atrás do cometa como uma cauda fixa: distribui-se pelo espaço e pode formar uma região de detritos que a Terra atravessa periodicamente.

Em outubro, nosso planeta cruza parte desse material associado ao cometa 1P/Halley. Pequenas partículas entram na atmosfera em velocidade extremamente alta, aquecem e produzem rastros luminosos. São meteoros — as populares “estrelas cadentes”. Não são estrelas, e também não significam que o núcleo do Halley esteja caindo na Terra.

Até 237 mil quilômetros por hora

Segundo a NASA e o Observatório Nacional, os meteoros das Oriônidas entram na atmosfera a aproximadamente 66 quilômetros por segundo, equivalentes a 237.600 km/h. Em geral, os meteoroides são muito pequenos, frequentemente comparáveis a grãos de poeira ou areia. A interação com a atmosfera gera os traços brilhantes, que podem deixar rastros momentaneamente visíveis.

A velocidade ajuda a explicar por que os riscos de luz surgem e desaparecem tão rapidamente. Embora a expressão “chuva de meteoros” sugira muitos objetos caindo juntos, na prática é comum esperar vários minutos entre dois rastros.

Por que o fenômeno se chama Oriônidas?

Quando vistos da Terra, os meteoros parecem partir de uma região do céu próxima à constelação de Órion, na vizinhança da estrela Betelgeuse. Esse ponto aparente recebe o nome de radiante. Os rastros, porém, podem surgir em diferentes partes do céu.

O mesmo cometa é responsável por outra chuva anual, as Eta Aquáridas, observadas em maio. Isso é possível porque a Terra cruza diferentes regiões de detritos ligados à órbita do Halley durante o ano.

Quando observar as Oriônidas em 2026 no Brasil?

O pico ocorre na noite de 21 para 22 de outubro, com atividade durante um período mais amplo, de 2 de outubro a 7 de novembro. Em condições ideais de céu escuro, a NASA indica cerca de 10 a 20 meteoros por hora. Essa taxa não é uma garantia para cada observador: iluminação urbana, nuvens e obstáculos reduzem a quantidade visível.

Em 2026, a Lua crescente iluminada dificulta a observação dos meteoros mais fracos durante parte da noite. A janela mais favorável no Brasil tende a ocorrer na segunda metade da madrugada, depois que a Lua se põe e até o amanhecer. O Observatório Nacional indica boas possibilidades de observação em todas as regiões do país, desde que o tempo ajude.

Para acompanhar, basta procurar um local seguro e escuro, longe de luzes artificiais, dar tempo para os olhos se adaptarem e observar uma região ampla do céu. Não são necessários telescópios ou binóculos. Eles restringem o campo de visão e não ajudam a acompanhar meteoros rápidos.

O que estamos vendo, afinal?

A imagem mais surpreendente das Oriônidas é também a mais simples: observamos a passagem da Terra por pequenas partículas deixadas em viagens anteriores de um cometa histórico. O Halley não voltou antecipadamente, e a chuva não representa ameaça extraordinária. É um encontro anual entre a atmosfera terrestre e antigos detritos cósmicos.

Fontes e referências

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